AnsiedadeLucimeire Ladislau Lopes

Muita gente chega à clínica depois de passar por um cardiologista. Fez exame, nada apareceu, e o aperto no peito continuou. É um percurso comum: o corpo avisa primeiro.
Por que o corpo entra na frente
A ansiedade é uma resposta de preparação. Diante de uma ameaça, o organismo acelera batimentos, tensiona músculos e redireciona a atenção. O mecanismo é útil quando existe perigo real e breve.
O problema aparece quando essa resposta se mantém ligada em situações que não pedem fuga nem luta: uma reunião, uma mensagem não respondida, uma decisão a tomar. O corpo age como se houvesse urgência, e a urgência não passa.
Manifestações frequentes
- Tensão no maxilar, ombros ou nuca ao fim do dia
- Respiração curta, com suspiros frequentes
- Alterações no apetite e desconforto digestivo
- Dificuldade de desligar na hora de dormir
- Cansaço que o descanso não resolve
O que ajuda no curto prazo
Regular a respiração e voltar a atenção ao ambiente reduz a intensidade do episódio. É alívio, e funciona para atravessar o momento.
O trabalho de fundo é outro. Envolve identificar o que dispara a resposta, entender o que ela protege e construir outras formas de lidar com aquilo. A Terapia Cognitivo-Comportamental tem respaldo científico nesse trabalho, e ele leva tempo.
Se os sintomas atrapalham a rotina, vale buscar avaliação. Ansiedade persistente tem tratamento, e quanto mais cedo começa, menos terreno ela ocupa.